Encontro Nacional
de Produtores e Usuários
de Informações Sociais,
Econômicas e Territoriais
INFORMAÇÃO PARA UMA SOCIEDADE MAIS JUSTA
III Conferência Nacional IV Conferência Nacional
de Geografia e Cartografia de Estatística
Reunião de Instituições Produtoras
Fórum de Usuários
Seminário "Desafios para Repensar o Trabalho"
Simpósio de Inovações
Jornada de Cursos
Mostra de Tecnologias de Informação
27 a 31 de maio de 1996
Rio de Janeiro, RJ BRASIL
60 anos
1936-1 996
Um a das maneiras de olhar o ofício de produzir
informações sociais , econômicas e territoriais ê como arte de
descrever o mundo. Estatísticas e mapas transportam os fenômenos
da realidade para escalas apropriadas à perspectiva de nossa visão
humana e nos permitem pensar e agir à distância, construindo
avenidas de mãe dupla que juntam o munda e suas imagens. Maiar e
peder de síntese dessas representações, cambinanda, cam precisão,
elementos dispersos e heterogêneos do cotidiano, maior o nosso
conhecimento e a nossa capacidade de compreender e transformar a
realidade.
Visto como arte, o ofício de produzir essas informações
reflete a cultura de um País e de sua época , como essa cultura vê o
mundo e o torna visível, redefinindo o que vê e o que há para se ver.
No cenário de contínua inovação tecnológica e mudança
de culturas da sociedade contemporânea, as novas tecnologias de
informação - reunindo computadores, telecomunicações e redes de
informação - aceleram aquele movimento de mobilização do mundo
real. Aumenta a velocidade da acumulação de informação e são
ampliados seus requisitos de atualização, formato - mais flexível,
personalizado e interativo - e, principalmente, de acessibilidade. A
plataforma digital vem se consolidando como o meio mais simples,
barato e poderoso para tratar a informação, tornando possíveis
novos produtos e serviços e conquistando novos usuários.
Acreditamos ser o ambiente de conversa e controvérsia
e de troca entre as diferentes disciplinas, nas mesas redondas e
sessões temáticas das Conferências Nacionais de Geógrafa,
Cartografia e Estatística e do Simpósio de Inovações, aquele que
melhor enseja o aprimoramento do consenso sobre os fenômenos a
serem mensurados para retratar a sociedade, a economia e o
Território nacional e sobre as prioridades e formatos das informações
necessárias para o fortalecimento da cidadania, a definição de
políticas públicas e a gestão político - administrativa do País, e para
criar uma sociedade mais justa.
Simon Schwartzman
Coordenador Oeral do ENCONTRO
Promoção
Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
IBGE
Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
IBGE
Associação Brasileira de Estudos Populacionais
ABEP
Co-Promoção
Associação Brasileira de Estatística
ABE
Associação Brasileira de Estudos do Trabalho
ABET
Associação Brasileira de Pós-graduação em Saúde Coletiva
ABRASCO
Associação Nacional de Centros de Pós-graduação em Economia
ANPEC
Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Ciências
Sociais
ANPOCS
Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Geografia
ANPEGE
Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em
Planejamento Urbano e Regional
ANPUR
Sociedade Brasileira de Cartografia
SBC
Apoio
Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro
FIRJAN
Academia Brasileira de Letras
ABL
Conselho Nacional de Pesquisas
CNPq
Financiadora de Estudos o Projetos
FINEP
I tnviNta Ciôncia Hoje
Institutos Regionais Associados
Companhia do Desenvolvimento do Planalto Central
CODEPLAN (DF)
Empresa Metropolitana de Planejamento da Grande São Paulo S/A
EMPLASA (SP)
Empresa Municipal de Informática e Planejamento S/A
IPLANRIO (RJ)
Fundação Centro de Informações e Dados do Rio de Janeiro
CIDE (RJ)
Fundação de Economia e Estatística
FEE (RS)
Fundação de Planejamento Metropolitano e Regional
METROPLAN (RS)
Fundação Instituto de Planejamento do Ceará
IPLANCE (CE)
Fundação João Pinheiro
FJP (MG)
Fundação Joaquim Nabuco
FUNDAJ (PE)
Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados
SEADE (SP)
Instituto Ambiental do Paraná
IAP (PR)
Instituto de Geociências Aplicadas
IGA (MG)
Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis
IPEAD (MG)
Instituto do Desenvolvimento Econômico Social do Pará
IDESP (PA)
Instituto Geográfico e Cartográfico
IGC (SP)
Instituto de Apoio à Pesquisa e ao Desenvolvimento “Jones dos
Santos Neves”
IJSN (ES)
Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social
IPARDES (PR)
Processamento de Dados do Município de Belo Horizonte S/A
PRODABEL (MG)
Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia
SEI (BA)
3
Organização
Coordenação Geral
Simon Schwartzman
Confege
César Ajara (IBGE)
Denizar Blitzkow (USP)
Jorge Marques (UFRJ)
Lia Osório Machado (UFRJ)
Mauro Pereira de Mello (IBGE)
Speridião Faissol (UERJ)
Trento Natali Filho (IBGE)
Comissões de Programa
Confest
José A. M. de Carvalho (UFMG)
José Márcio Camargo (PUC)
Lenildo Fernandes Silva (IBGE)
Teresa Cristina N. Araújo (IBGE)
Vilmar Faria (CEBRAP)
Wilton Bussab (FGV)
Comissão Organizadora
Secretaria Executiva - Luisa Maria La Croix
Secretaria Geral - Luciana Kanham
Confege, Confest e Simpósio de Inovações
Anna Lucia Barreto de Freitas, Evangelina X.G. de Oliveira,
Jaime Franklin Vidal Araújo, Lilibeth Cardozo R. Ferreira e
Maria Letícia Duarte Warner
Jornada de Cursos - Carmen Feijó
Finanças - Marise Maria Ferreira
Comunicação Social - Micheline Christophe e Carlos Vieira
Programação Visual - Aldo Victorio Filho e
Luiz Gonzaga C. dos Santos
Infra-Estrutura - Maria Helena Neves Pereira de Souza
Atendimento aos Participantes - Cristina Lins
Apoio
Andréa de Carvalho F. Rodrigues, Carlos Alberto dos Santos,
Delfim Teixeira, Evilmerodac D. da Silva, Gilberto Scheid,
Héctor O. Pravaz, Ivan P. Jordão Junior,
José Augusto dos Santos, Julio da Silva, Katia V. Cavalcanti, Lecy Delfim,
Maria Helena de M. Castro, Regina T. Fonseca,
Rita de Cassia Ataualpa Silva e Taisa Sawc/uk
Registramos ainda a colaboração de técnicos da:, ditomntos
áreas do IBGE, com seu trabalho, crítica:. ■■ ■ a i< i» •• t< .1 ■ , para a
consolidação do prn|i>in dn I N( )N I MO.
.1
CARACTERIZAÇÃO DOS NÍVEIS DE SILCRETES ASSOCIADOS AOS
PATAMARES ESTRUTURAIS ESCALONADOS DO SETOR SUDOESTE DO
ESTADO DE MINAS GERAIS
Deodeciano Bittencourt Rosa
Claudete Aparecida Dailevedove Baccaro
Samuel do Carmo Lima
Antonio Giacomini Ribeiro
Roberto Rosa
Professores do Departamento de Geografia da Universidade Federal de Uberlândia
ABSTRACT
The interfluve between Araguari and Tijuco basins, in the Triângulo Mineiro region, are
inserted in the Paraná basin, as parí the Tropical Plateau Domains of the Central Brazil. The main
geomorphological process in that area are being built from the Tertiary to the Quatemaiy.
These process produced flat surfaces as seen in the Uberlândia Munidpality bordered by
echeloned structural crests cut by deep ravines. The geological structure is represented by the rocks
of the Araxá Group (Lower Proterozoic, containing gneiss, migmathes, schistes and quartzites),
basaltics rocks and dyckes of diabase ffom Serra Geral Formation (Upper Jurassic/Lower
Cretaceous), sandstones from Adamantina and Marilia Fonnations, intercalated by fine to thick
sand grains, pebbies leveis, silcretes leveis, conglomerates and carbonates leveis (Bauru
Group/Middle Cretaceous to the Upper Cretaceous), Detritic Laieritic Cover Tertiaiy Quatemary
and Recent AUuviuns.
From the contact zone between the basaltic rocks and the surface levei, we find silcretic
rocks with hidrated siliceous compounds, with traces of iron, manganese, carbonates and fines
siliceous elements
Studies of the contact levei, and the siliceous migration from the top to it may bring new
concepts and explanation about these plateau lands formation and erosion process.
1 - INTRODUÇÃO
Na área compreendida pelo Triângulo Mineiro no setor Sudoeste do Estado de Minas
Gerais, estudos de caráter geológico-geomorfológico vem sendo desenvolvidos na faixa de
predominância do Grupo Bauru (Cretáceo Médio ao Superior), e mais precisamente na área de
ocorrência da Formação Marilia, unidade litoestratigráfica distai que constitui o topo deste grupo
regionalmente-
Na constituição litológica da Formação Marflia foram reconhecidas no topo da sequência.
estruturas silicosas maciças caracterizadas como silcretes por BITTENCOURT ROSA “et ai “
(1995), que nota damente estão associadas à elaboração de patamares estruturais escalonados, em
relevos tabuliformes localmente.
A mobilização e a fixação da sílica nesta área foram estudadas através de exemplos que
explicam os diversos aspectos do problema, tais como: a deposição da sílica, o aparecimento do
cimento silicoso por alimentação sintática e a acumulação deste material, que conduz a formação
de níveis endurecidos do tipo silcrete, cujas fácies são totalmente específicas.
Um silcrete, ou lage silicosa nós designaremos aqui, a uma acumulação de sílica, que teve a
sua origem num ambiente continental superficial, a partir dos dados de MEYER (1981).
Dentro deste contexto e para uma melhor análise do comportamento destas silicificações na
região em referência, nas partes altas dos Chapadões de Uberlândia, escolhemos o setor sudeste do
Município de Uberlândia, até a divisa com o Município de Uberaba, onde os processos erosivos
que foram estudados por BITTENCOURT ROSA & FELTRAN FILHO (1995), determinaram a
formação de ravinamentos e voçorocamentos, que são contidos em seus avanços, quando afloram
silcretes próximos, e o que se observa na porção superior, é que os mesmos se constituem numa
proteção natural para a continuidade desses processos erosivos lateralmente.
A área em foco está situada entre as coordenadas geográficas de latitudes 18° 59’ 00” e 19°
23’ 00” Sul e longitudes 47° 55’ 00” e 48° 14’ 00” Oeste de Gr. As altitudes regionalmente
oscilam entre 850 a 980 metros.
O acesso a mesma é possibilitado através da rodovia BR-050, que comunica o Município de
Uberlândia e a cidade homônima com a capital Brasília e o Estado de São Paulo. As outras
ligações com os grandes centros são possíveis pelas rodovias também federais BR’S - 452 e
262(Belo Horizonte e alhures) e a BR-365 até Montes Claros, com comunicações com as BR’S -
040, 354 e 496. Inúmeras estradas vicinais permitem um bom acesso a área estudada.
2 - ASPECTOS FISIOGRÁTICOS
O condicionamento climático regional não é uniforme, sendo caracterizado por duas estações
distintas, uma seca e outra chuvosa, o que evidencia um clima tropical a estações contrastadas, ou
seja o de número 2 (dois), segundo a classificação climática apresentada por TARDY (1986), para
as grandes linhas do clima de DURAND-DASTES (1968).
Na estação seca (abril a setembro), predominam seis meses com variações de extremos
quentes a fido seco, enquanto que na estação chuvosa (outubro a março) são caracterizdos seis
meses chuvosos e quentes, com um aumento considerável nas precipitações nos meses referentes
ao verão (novembro a fevereiro), onde praticamente caem 70% das chuvas na região. As
temperaturas oscilam entre 18° a 32° na estação seca e entre 24° a 38° na estação chuvosa. A
pluviosidade média anual é de 1500 mm.
No conjunto fitofisionômico predomina o Cerrado, com incursões do Cerradão, Campos
Limpos, Campos Sujos e Matas Galerias.
No cerrado podemos individualizar dois andares, um arbóreo com árvores possuindo de 2 a
20 metros de altura e o outro arbustivo herbáceo, com árvores e arbustos espaçados que variam de
0,5 a 2,5 metros de altura.
A rede de drenagem da área em referência pertence a bacia hidrográfica do Rio Uberabinha,
que drena parte da área dos Chapadões de Uberlândia no sentido SE-NW, indo desaguar no Rio
Araguari, constituindo a divisa dos municípios de Uberlândia e Tupaciguara, próximo ao povoado
de Martinésia.
Os ribeirões Glória e Bom Jardim formadores do Uberabinha, drenam a área de estudos no
sentido NE-SW, com inflexões para SE-NW, e o padrão de drenagem é subdendrítico a
subparalelo.
Os solos estão representados por latossolos, solos arenosos, solos areno-argjlosos, solos
Mdromórficos e cambissolos.
3 - ASPECTOS GEOMORFOLÓGICOS
A área em estudos fez parte de um conjunto global de formas denominado por AB’ SABER (
1971), como Domínio dos Chapadões Tropicais do Brasil Central. Esse relevo vem sendo
elaborado desde o Terciário e durante o Quaternário pelos processos morfoclimáticos, os quais
propiciaram extensas pediplanações, pedimenlação, laterização e dissecação, levando o relevo a
possuir as formas atuais. (BACCARO, 1994).
Essa região apresenta unidades geomorfológicas bastante distintas, com relação a morfologia,
ao nível de dissecação e ao comportamento dos processos geomorfológicos. Podemos distinguir as
seguintes unidades geomorfológicas: 1) Área de relevo altamente dissecado; 2) Área de relevo
medianamente dissecado; 3) Área de relevo levemente dissecado; 4) Área de relevo residual com
escarpas erosivas e 5) Áreas de cimeira com topos planos, amplos e largos.
4 - ASPECTOS GEOLÓGICOS
4.1 - Considerações Iniciais
Geologicamente a área estudada está representada por rochas pertencentes ao Grupo Araxá
(Proterozóico Inferior, compreendendo gnaisses, migmatitos, micaxistos, sericitaxistos e
quartzrtos); Formações Serra Geral (Jurássico Superior/Cretáceo Inferior, constituida por basaltos
e diques de diabásio), e Marília (Grupo Bauru, Cretáceo Médio ao Superior), contendo arenitos
finos a grossos intercalados com níveis argilosos, níveis cascalhemos, conglomerados e níveis de
silcretes na porções de cimeira. Coberturas Detrito Laleríticas Térdo-Quatemárias e Aluviões
Recentes.
A Formação Marflia que comporta os níveis de silcretes regionalmente, foi alvo de alguns
trabalhos de cunho geológico, dentre os quais BARBOSA(1953), citado por BARCELOS(l 984),
que caracterizou esta unidade litoestratigráfica como constituída por cimentação carbonática.
SOARES “et aF(1980), designaram a Formação Marília como constituída por arenitos
conglomeráticos, contendo grãos angulosos, teor variável de matriz, mal selecionados, com
abundância de feldspatos, minerais instáveis e minerais pesados, ocorrendo em bancos com 1 a 2
metros de espessura, maciços ou com estratificação incipiente subparalela e descontínua, com rara
estr at ificaçã o cruzada de médio porte, onde os seixos estão concentrados nos estratos cruzados, e
com raros leitos descontínuos de lamitos vermelhos e calcários.
Regionalmente essa Formação é constituída por camadas espessas de arenitos imaturos e
conglomerados sobrepostos aos níveis carbonatados (NISHIYAMA, 1989).
Ainda BARCELOS(1984), propôs uma subdivisão da Formação Marília em duas fades,
sendo a primeira a Fádes Ponte Alta, onde se sobressaem os níveis carbonáticos constituídos de
calcário do tipo calcrete, e a Fácies Serra do Galga para os arenitos e conglomerados sobrepostos
à Fácies Ponte Alta.
Estes sedimentos estão recobertos em certos endereços por sedimentos cenozoicos, e
principaknente no topo das chapadas.
4.2 - As Rochas Silcréticas
Os níveis de rochas silcréticas ou lages silicosas tem sido estudados por alguns autores, e
dentre eles podemos citar: WATKINS(1967); CONRAD(1969); GOUDIE(1973); VAN DER
GRAAF”et al”(1977); LANGFORD-SMITH( 1 978) e MEYER(1981), que reconheceram este
fenômeno na Europa, no Deserto de Sahara, na África do Sul, nos Estados Unidos e na Austrália, e
fa?em uma anális e destas regiões do mundo onde os silcretes imprimem seus traços na
geomoifologia, e suas associações paragenéticas e interrelações entre a geomorfologja, a pedologia
e a geoquímica.
Muitos destes estudiosos concordam num ponto de vista, ou seja, a antiguidade das paisagens
em que as silidficações nos permitem supor que na maioria das vezes existiu um fenômeno bem
antigo, que evoluiu longamente. O Mioceno segundo MEYER(1981), é um exemplo bastante
citado como um período de desenvolvimento das silidficações no Deserto de Sahara.
As interrelações das rochas silcréticas com os aspectos geomorfológicos na área dos
Chapadões de Uberlândia nos conduzem a idealizar um perfil onde podemos caracterizar três níveis
petrográficos sffidficados no topo da Formação Marília, associados as Fádes Ponte Aha e Serra do
Galga de BARCELOS(1984), de cima para baixo da sequência:
a) Nível tipo terraço opalino - contém grãos de quartzo cimentados pela süica finamente
cristalizada. O cimento pode exibir figuras de fluxo. Ocorrências de sílica criptocristalina de
colorações pardo-amarelada, marrom, cinzenta azulada e esbranquiçada são comuns.
Os elementos detríticos estão presentes e podemos caracterizar a opala, a calcedônea e a
lussatita.
No seio desses silcretes estão presentes pequenas cavidades geódicas com diâmetros
oscilando entre 0,5 a 3 cm, e que são preenchidos por quartzo amarelado e opala cinzenta ou então
amarelada, as vezes estalactítica. Nas extremidades destas cavidades em amostra de mão podemos
identificar a lussatita em películas bem finas. (Foto 1).
Todo o conjunto em amostra de mão, mostra alterações da massa silcrética em opala
hidrofana superficialmente, numa espessura de quase 1,5 cm, e concentrações de laíossolo marrom
chocolate contendo matéria orgânica se misturam com esta opala.
Em estampa de água fria as amostras acinzentadas, transformam-se inteiramente num azul
celeste, formando um belo contraste com a superfície alterada. (Foto 2).
b) Nivel tipo conglomerático - onde os seixos via de regra feitos de material do terraço, estão
espalhados numa matriz silicosa de coloração vermelho-clara, ou amarelada. Lemes e nódulos de
carbonato estão presentes em intercalações nesta matriz. (Foto 3).
c) Nível tipo areortico - sintomas de recristaüzação dão a rocha um aspecto de um arenito
siiicificado, de granulometria variável de fina a grossa, ou de um quartzáto com predominância das
colorações avermelhada clara, amarelada e cinzenta. (Foto 4).
Em todos esses níveis a cimentação é um processo importante, e inúmeras causas podem
favorecer o endurecimento de alto em baixo da sequência, tais como abundância de matriz arenosa
contendo lentes carbonatadas, estruturas sedimentares em canais, posições preferenciais na antiga
paisagem, que podem explicar a forte cimentação.
Em determinados casos, a silicificação pode ocorrer maciçamente, invadindo toda a
sequência, que se constitui então num silcrete.
Estruturas com estrias de fricção ocorrem no seio da matriz formadas em áreas escarpadas
percorrendo, formas como espelhos de falha. Elas podem acidentar a superfície dos silcretes, na
constituição dos patamares.
Regionalmente estes patamares estruturais escalonados estão referidos a esta forte
cimentação, onde estão caracterizadas as presenças de certas formas de süicas fibrosas associadas a
lentes carbonatadas num ambiente evaporítico, e os depósitos duviais e iluviais observados nestas
silicificações, são resultantes de circulações de águas a dominante vertical. Os materiais foram
mobilizados em solução e redistribuídos de alto a baixo da sequência, até a zona de contato
Formação Marflia/Fonnação Serra Geral.
Os basaltos da constituição da Formação Serra Geral localmente, por sua natureza, se
constituem em profundidade numa barreira, para a infiltração da água, havendo então uma
saturação da mesma carregada de sílica, tanto da lixiviação dos minerais silicosos, como resultado
das epigenias sili cosas.
5 - CONSIDERAÇÕES FINAIS
De uma maneira geral podemos dizer que as soluções carregadas de sílica, atingiram a nape
freática, no contato basalto/arenho. A formação inteira secou durante um período de
desenvolvimento local de um clima semi-árido, que afetou a região em tempos geológicos recentes,
e que permitiu a decantação das esferas de sílica coloidal docemente. As fraturas e as fissuras nas
rochas permitiram a circulação contínua desta solução mineralizante, que se concentrou por
evaporação, e depositou sucessivamente mais sílica sobre as esferas de Si02 já depositadas,
desenvolvendo-se então a cimentação de todo o conjunto com preenchimento parcial dos vazios, e
logicamente estas esferas tomaram-se impermeáveis.
Um outro aspecto a ser considerado é a lentidão da evaporação da água, que pennitíu
também a precipitação da sQica sobre a camada argilosa proveniente da alteração do basalto, que se
tomou também endurecida. (Foto 5).
De alto a baixo da sequência, podemos sublinhar também as alterações que estão presentes
nos três níveis estudados, e as mesmas tiveram início após a acumulação da água no perfil, e
logicamente quando uma parte da cobertura sedimentar foi erodida.
Os processos de erosão são comuns tanto nas zonas semi-áridas, como nos cerrados, em
razão da escassez da cobertura vegetal contínua.
Os relevos tabuliformes associados ao comportamento estrutural, caracterizam-se por
camadas sedimentares horizontalizadas ou então subhorizontalizadas, e regionalmente estão
associados aos derrames basálticos concordantemente, e correspondendo ao chapadão, que
segundo CASSETI(1994), lembram a presença de uma extensão de mesa ou tabuleiros em níveis
altimétricos distintos, mantidos pelas camadas de basaltos ou pelos sedimentos de maior resistência,
além das concreções silicosas e carbonáticas. Ma maioria dos casos estão relacionados a níveis de
aplainamentos relativamente concordantes que por sua natureza justificam as formações do tipo
cerrado na área em questão.
Podemos caracterizar também tuna associação íntima entre a vegetação presente localmente,
com a morfologia predominante, ou seja uma cobertura vegetal arbustiva-herbácea nas áreas
pediplanizadas do topo da sequência, vegetação nativa nas escarpas vertí caüzadas, e ainda uma
vegetação superior predominantemente arbórea com rastros arbustivos no talus.
Finalmente o que se observa de alto a baixo da sequência da Formação Maiíiia, é uma
resistência maior dos níveis silicosos tanto areníticos, como opalinos, o que conduz a constiltuição
e a manutenção de degraus (Foto 6), que constituem os patamares em questão, onde a passagem
regressiva está caracterizada pela erosão da faixa argilosa subjacente, proveniente da alteração do
basalto, que preenche por vezes fraturas e fissuras no arenito, na zona de contato com o basalto,
permitindo então uma retenção da água, que geralmente flui pelas escarpas, ou pelo solapamento
do pacote.
6 -BIBLIOGRAFIA
AB' SABER, A. N., 1971 - Contribuição à Geomorfologia da Área dos Cerrados. Simpósio sobre
o Cerrado. São Paulo, EDUSP., p.97 - 103.
BACCARO, C. A. D., 1994 - As unidades geomorfológicas e a erosão nos Chapadões do
Município de Uberlândia. Rev. Sociedade & Natureza, EDUFU, Uberlândia, MG, Ano 6, n.
lie 12, p.19-34.
BARCELOS, J. H-, 1984 - Reconstrução paleogeográfica da sedimentação do Grupo Bauru
baseada na sua redefinição estratigráfica parcial em território paulista e no estudo
preliminar fora do Estado de São Paulo. Rio Claro, UNESP, Instituto de Geologia, Tese de
Livre Docênda.
BITTENCOURT ROSA D. & FELTRAN FILHO, A, 1995 - Considerações acerca de impactos
ambientais no setor Sudeste da Cidade de Uberlândia.(0 Caso da Fazenda Experimental do
Glória). In: Encontro de Geomorfologia do Sudeste , 1 , Rio de Janeiro, RJ, UFRJ, Anais
do..,(no prelo).
BITTENCOURT ROSA, D.; EELTRAN FILHO, A; MENEZES LIMA, P . R. & GAUTHIER, J.
P., 1995 - As silicificações presentes na Formação Marília(Grupo Bauru), no Município de
Uberlândia e as modificações resultantes na paisagem geomorfológica. In: Semana da
Geografia, VIII, Uberlândia, MG, UFU, Anais da.., (no prelo).
CASSETI, V., 1994 - Elementos de Geomorfologia. Edit da UFG., Goiânia, GO, 137p.
CONRAD, G. , 1969 - L’évohition conünentale post-hercymerme du Sahara algérien. CNRS.,
Paris, 527p.
DURAND-DASTES, F., 1968 - Climatologie. Encyclopaedia Universalis, 4, p. 618 - 624.
GOUDIE, A_, 1973 - Duricmsts in Tropical and Subtropical Landscaspes. Clarendon Press,
Oxford, 174p.
LANGF ORD-SMllH, T. Ed., 1978 - Silcrete in Austrália. Dept. Geograph., Umversity New
England, Publis., 304p.
MEYER, R,, 1981 - Role de la paléoaltératton de la paléopédogénèse et de la diagènese précoce
au cours de Vélaboration des Séries Contmentales. Thèse de Doctoraí d’État, Mention
Sciences, Université de Nancy I, France, 25 7p.
NISHEYAMA, L., 1989 - Geologia do Município de Uberlândia(MG), e áreas adjacentes. Rev.
Sociedade & Natureza, Uberlândia, MG, EDUFU, Ano 1, n.l, p. 9 - 16.
SOARES, P. C.; LANDIM, P. M B.; FÚLFARO, V. J. & SOBREIRO NETO, A. F., 1980 -
Ensaio de Caracterização do Cretáceo no Estado de São Paulo, Grupo Bauru, Rev. Brasileira
de Geociências, Soc. Bras. Geologia, V. 10, p.177 - 185. São Paulo.
TARDY, Y., 1986 - Le Cycle de L , Eau;. Climats, Paléoclimats et Géochimie Globale. Masson
Éditeurs, Paris, 338p.
VAN DER GRAFF, W. 1; CROWE, R. W.; BUNTTNG, J. A. & JACKSON, M. J., 1977 - Relict
early Cainozoic drainages in and western Australia. Z. Geomorph. N. F., 21, 4: 379 - 400.
WATKINS, J. R., 1967 - The relationship between climate and the development of landfonns in the
Cainozoic rocks of Queensland J. geol. Soc. Aust., 14, 1: 153 - 168.
7- ANEXOS
7.1 - Mapa de localização
7.2 - Fotografias.
Foto 1 - Rocha silcrética aflorando no nível tipo terraço opalino, e inúmeros seixos desagregados
do nível conglomerático . O conjunto mostra nas extremidades alterações para opala hidrofana.
Ocorrência na Fazenda Experimental do GióriaAJniversidade Federal de Uberlândia
Foto 2 - Mostrando fragmentos de silcretes contendo pequenas cavidades geó dicas no seio da
matriz, e predominância da coloração azul celeste após a estampa em água fria. Amostras da
localidade da foto número 1 .
Foto 3 - Nível tipo conglomerático de coloração avermelhada clara contendo seixos arredondados
e subarredondados de material essencialmente süicoso, e predommantemente de arenitos
silicificados e quartzitos. Rodovia BR-452, margem esquerda do Rio Claro.
Foto 4 - Nível tipo arenMco com sintomas de reeristaliza ç ão intercalado com camada argilosa.
Fazenda Experimental do Qória/Universidade Federal de Uberlândia.
Foto 5 - Sequência alterada em argila de coloração avermelhada na zona de contato
arenitofàasalto, que localmente ocorre bastante endurecida. Rodovia BR-452, margem esquerda do
Rio Claro.
Foto 6 - Aspecto ao fundo dos degraus constituídos em função de uma maior resitência dos
níveis silicosos tanto areníticos, como opalinos aos processos erosivos. Chapadões de Uberlândia.